sexta-feira, 5 de agosto de 2016



uma mão chega do silêncio
acarinha             

e o olhar
do horizonte em fogo 

Inez Andrade Paes

segunda-feira, 20 de junho de 2016

 




                            A Pedro Casteleiro pela"A República dos Pássaros"  
           

quando os pássaros se escapam do meu sorriso
procuro-os e esquivo-me dobrando o olhar em riso
sabem que as plantas que guardo à superfície dos lagos
são para criar raízes e caules
transplanto-as para que cresçam árvores
que depois os pássaros irão usar antes da partida para sul

sei que sou precisa neste Norte gelado
as minhas mãos têm calos
porque os pássaros são francos amigos de asas
voam em cada bocado de céu
esteja claro ou a fímbria de luz desvanecendo-se

vem pois a casa é tua
a incandescência dos olhos é guia nocturno

Inez Andrade Paes
Válega, 11 de Março de 2015

sexta-feira, 3 de junho de 2016

quarta-feira, 18 de maio de 2016

OS LAMBÕES




os ursos levam cartas para ti
e de lânguidas amostras
trazem cascas de caracol na cabeça
onde se aninham e retiram

deitam-se de costas
de barriga para cima
e não pensam nas viscosas linhas
que deixaram para trás
e lhes mostram as fraldas que descaem

Inez Andrade Paes

domingo, 1 de maio de 2016



Hédera     
       
lavras o chão do campo
sobes com hastes finas a muralha

que frágil estás
no amanhecer entre o orvalho


que goteja a nossa cara

Inez Andrade Paes

sexta-feira, 22 de abril de 2016

LIMITE




há um limite
na linha da consciência

uma rasura na parte que parte e se segura

uma consciência plena da tontura
exacta
onde a mancha desmancha e perdura
um golpe secundário
onde a queda se enrola e veste o gume
de areia escura

Inez Andrade Paes

quarta-feira, 13 de abril de 2016

domingo, 27 de março de 2016

Monequinho



O sorriso e o amor de um menino de dois anos que do colo da Mãe lança um abraço ao que ele chama de “monequinho”

Vem esta Mãe todas as semanas pedir esmola aqui a casa. Da janela vi que trazia o menino ao colo e resolvi levar-lhe um boneco verde alface.
De dedinho apontado e de abraço preparado, disse:
- Um monequinho!  (Um abraço enorme entre ele e o boneco)

- Para que este "monequinho" existisse andei a juntar “pontos” para uns tantos "vales desconto" de compras, (porque agora as empresas de Portugal andam a "pontos" e a "vales" ) e nós cheios de papelada na carteira com datas e prazos para completar para conseguir assim "monequinhos" -
Valeu a canseira.

Vivam os sorrisos lindos e todos os “monequinhos” que os façam sorrir.

Inez Andrade Paes